Eu gosto do jeito como as copas das árvores combinam com o azul do céu. Eu gosto do jeito como seu sorriso combina com o meu. Eu gosto do jeito como as ruas ficam depois da chuva. Eu gosto do jeito como o barbante combina com tudo. Eu gosto do jeito como uma janela antiga emoldura a cidade poluída. Eu gosto do jeito como os pássaros cantam baixinho para me acordar nos dias de sábado. Eu gosto do jeito que seu perfume um dia já grudou na minha roupa. Eu gosto do jeito que café me deixa acordada. Eu gosto do jeito de muitas coisas. Eu gosto de ver a simplicidade das coisas. Eu gosto de detalhes e histórias bem contadas. Eu gosto de quando você me carrega em suas asas.
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sexta-feira, outubro 08, 2010
O jeito do que eu gosto.
Eu gosto do jeito como as copas das árvores combinam com o azul do céu. Eu gosto do jeito como seu sorriso combina com o meu. Eu gosto do jeito como as ruas ficam depois da chuva. Eu gosto do jeito como o barbante combina com tudo. Eu gosto do jeito como uma janela antiga emoldura a cidade poluída. Eu gosto do jeito como os pássaros cantam baixinho para me acordar nos dias de sábado. Eu gosto do jeito que seu perfume um dia já grudou na minha roupa. Eu gosto do jeito que café me deixa acordada. Eu gosto do jeito de muitas coisas. Eu gosto de ver a simplicidade das coisas. Eu gosto de detalhes e histórias bem contadas. Eu gosto de quando você me carrega em suas asas.
A menina que gostava de sonhar.
Ela já viveu em todo lugar, já morou onde você nunca pode imaginar. Ela já viu o mundo inteiro, já se cansou de tanto voar. Ela já teve um castelo, um sapo-príncipe e um cavalo encantado. Ela já salvou o mundo, teve milhões de amigos e montes de histórias nada convencionais. Ela já conheceu fadas, gnomos, duendes e conversou com animalzinhos. Ela simplesmente gostava de sonhar. Ela nunca passou disso, uma garota com uma imaginação, na qual não existiam limites. Ela imaginava mundos, histórias e criaturas. Ela sonhava e acreditava. Sabe, ela gostava mesmo de sonhar, apesar de saber o quão irreal alguns daqueles sonhos podiam parecer, ela ainda acreditava neles. Salvou algumas vidas os ensinando a ser assim. Até o dia que alguém a disse que ela sonhava demais. Até o dia que lhe cortaram as esperanças. Ela, jogou seus sonhos no lixo e resolveu ser alguém normal, prometeu nunca mais ser assim. Junto com isso veio a tristeza de ser normal demais, de não ter em que acreditar. Uma de suas vidas salvas, aquela que nunca a abandonou, a lembrou de como ela costumava ser. A saudade a invadiu os olhos, porém ela não sabia mais se ainda podia ser aquela pessoa mágica. Ele a ajudou, com a mesma calma que ela dedicou, a se redescobrir. Ele soube a hora certa para isso. Ela voltou a sonhar. E são de mais pessoas assim que o mundo precisa, pessoas que ajudem quem precisar e pessoas que sonhem para que tudo possa se realizar. Sabe, aquela menina realmente gostava de sonhar.
sonhar.
Alguém me disse a um tempo atrás que eu sonhava demais. Alguém me disse que eu jamais iria conseguir fazer metade do que queria. Alguém me disse a um tempo atrás que eu não era ninguém no mundo. E eu acreditei nessa pessoa. Passei tempos sem acreditar em mim. Mas hoje, você esta aqui, reconstruindo a menina do jeito que conheceu. Hoje, você consertou o que alguém quebrou. Obrigada por tudo. Obrigada por me mostrar que minhas asas ainda estão comigo, eu só as tinha esquecido. Obrigada por me salvar na hora certa. Obrigada por ser meu anjo.
Engraçado.
terça-feira, outubro 05, 2010
O Garoto do outro lado da rua.
O sol me invadiu os olhos, me obrigando a despertar. A rua já estava agitada. Percebi que perdi todas as minhas chances de voltar a dormir. Desci as escadas com toda a preguiça da manhã de sábado. Fui até o jardim olhar um pouco a rua. Derrepente percebi uma figura desconhecida olhando para mim e sorrindo, da porta da casa da frente. Obviamente sei porque ele sorriu, eu ainda estava de pijamas e meu cabelo ainda estava bagunçado. Percebi ele andando em minha direção. Apresentou-se como Gabriel, mas que poderia chamá-lo de Gabe. Acabava de se mudar. Ele não tinha daquelas belezas óbvias, era daquelas belezas exóticas, que você tem que olhar duas vezes para gostar. Mais tarde ainda naquele dia minha mãe me pediu para levar alguns biscoitos aos novos vizinhos, lá fui eu, dessa vez um pouco mais bem arrumada. Gabe atendeu a porta e acabamos ficando horas conversando. Descobri que assim como eu, ele amava fotografias, pintura, cinema e músicas. Depois daquele dia nos víamos sempre, nos tornamos grande amigos. Até o dia que estávamos voltando de um showzinho de música alternativa, ele me virou, olhou-me com aqueles encantadores olhos castanhos e com as bochechas coradas, me beijou. Sem dizer uma única palavra, me soltou e foi andando alguns passos a frente, como se não tivesse acontecido nada. Eu, furiosa, o alcancei com o passo rápido e gritei: “- Como assim Gabe?” Ele sorrindo disse: “-Eu te amo, sempre amei. Desde aquele dia na porta de nossas casas, você com aquele pijama listrado e aquele seu cabelo perfeitamente desarrumado, com todos aqueles sonhos nos olhos e sem nenhum medo de sonhar novos. Foi impossível não me apaixonar. Você é irresistível para mim, é doloroso ficar ao seu lado e não te ter.” Eu, ainda sem entender muita coisa, perguntei porque ele havia me beijado sem dizer nada. Ele respondeu que não se ama com palavras, assim como não se vive de sonhos, sonhos são apenas idéias do futuro, as quais deverão ser perseguidas. E foi assim que o garoto do outro lado da rua me ensinou a viver. Com aquela noite inesquecível. Duas semanas depois Gabe se foi. Ele tinha leucemia, mas nunca parou de sonhar. Já derramei muitas lágrimas por ele, porém elas não o trarão de volta. Eu o amei com o amor mais puro e ainda o amo. Um dia ainda nos reencontraremos, mas só quando meus sonhos se cessarem. Afinal, ele me deu a vida e de nada adianta respirarmos se não corrermos atrás do que vivermos.
sexta-feira, outubro 01, 2010
História (in)feliz.

Eu poderia ser qualquer pessoa no mundo, mas eu só queria poder ter uma história mais ou menos assim para contar para alguém.
Gostaria de ter paciência para escrever um romance. Com tantas páginas que pudesse ocupar minha atenção por todo o verão. Colocaria trancado em meio as suas páginas meu coração descogelado. Escreveria todos os dias pela manhã e o leria antes do sol se pôr, sobre uma árvore que desse para ver a noite chegando. Me dedicaria inteiramente a esse livro, com a história mais real e impossível. Colocaria nossa história ali, mas com um final mais ou menos feliz. Até que um dia você aparecesse em meio aquele monte de árvores na beira do riacho e me dissesse que não aguenta mais viver sem ver meu sorriso. Eu gostaria de correr para ti. Sorrindo de um jeito que não faço a algum tempo. Sorriso sincero de verdade e não apenas sorriso para enganar pessoas sem sentimentos. Eu poderia colocar uma fita vermelha naquele livro escrito por tanto tempo e dar aos meus netos. Gostaria de completar essa história dizendo que fui feliz, mesmo sabendo que você provavelmente não seria o avô daqueles meninos.
Ah, se eu fosse feliz ao menos uma vez na vida, carregaria aquele sorriso sincero para toda a vida, acreditaria que minha felicidade um dia já existiu.
Mas tudo isso são apenas pensamentos, não se esqueça. Essa garota jamais vai existir. Ela não passa de uma garota que ainda anda por ai sorrindo de mentira. Garota que quer encontrar um amor de verdade. Garota que acredita que um dia ainda encontrará a felicidade.
Memória.

Memória irrelevante de garota ignorante.
Ainda me lembro do seu jeito sem graça de sorrir. Eu posso te ver todas as manhãs, mesmo que você tenha ido embora a muito tempo. Ainda me lembro da lagoa jogando uma brisa gelada sobre nós no fim do mês de setembro. Seu braço quente estava sobre mim. Meio ilhados naquele lugar sem ninguém. A lâmpada meio escura, esverdeada batendo na árvore cheia de garças. E isso, tudo isso era ótimo. Até você partir sem mim. E me esquecer nessa cidadezinha pequena. E agora eu posso ver que eu nunca precisei de você. Apenas seu sorriso me fazia sorrir, mas sua alma jamais esteve aqui.
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