Amanhecera novamente com aquela mesma ideia surreal de que o dia seria perfeito. Não foi. Levantara da cama pensando em uma xícara de café a sua espera. O café não estava pronto naquele dia. Abrira as cortinas à procura de um pouco de sol para aquecer dentro de casa. O céu estava nublado. Você fazia falta naquele dia, naquela casa, naquela vida. Fora regar as plantas sabendo que não encontraria se quer uma viva. Encontrou novos botões de margaridas. A face abriu um sorriso. O cabelo dançava com o vento. O resto da alma se convidou. Liberdade, a ventania soava nos ouvidos. Talvez fizesse falta, mas não naquela manhã. Minha alma me pertencia. Seu lugar não era aqui. Esqueci seu nome, seu endereço, seu telefone. Não esqueci o amor, pois um dia esse amor tomara conta de mim. Guardei-o na caixinha de lembranças. E quando sentir saudades, abro a tampa, mando felicidades.
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quinta-feira, julho 28, 2011
Vida em mudança.
Amanhecera novamente com aquela mesma ideia surreal de que o dia seria perfeito. Não foi. Levantara da cama pensando em uma xícara de café a sua espera. O café não estava pronto naquele dia. Abrira as cortinas à procura de um pouco de sol para aquecer dentro de casa. O céu estava nublado. Você fazia falta naquele dia, naquela casa, naquela vida. Fora regar as plantas sabendo que não encontraria se quer uma viva. Encontrou novos botões de margaridas. A face abriu um sorriso. O cabelo dançava com o vento. O resto da alma se convidou. Liberdade, a ventania soava nos ouvidos. Talvez fizesse falta, mas não naquela manhã. Minha alma me pertencia. Seu lugar não era aqui. Esqueci seu nome, seu endereço, seu telefone. Não esqueci o amor, pois um dia esse amor tomara conta de mim. Guardei-o na caixinha de lembranças. E quando sentir saudades, abro a tampa, mando felicidades.
terça-feira, julho 26, 2011
Confusa(mente) Coração.
É sempre assim, não sei muito bem o que pensar ao encontrar-lhe. Talvez ainda exista algo que não deve ocorrer. Faz passarem milhares de coisas pela minha confusa mente. Digo ao coração que ele nada sente. Ignora-me, ele sente. Sempre sentiu. Calo-me e lembro que é algo forte o suficiente para me fazer desejar felicidade independente de com quem você a encontre. Confundo-me ainda mais. Quais as chances de que novamente esteja errada? Prefiro o silêncio a estragar seu sorriso. Encantador sorriso. Jogo na vida. Se for parte de mim um dia ocorre. Mesmo sabendo que jamais vai ocorrer, afinal minhas possibilidades de felicidade parecem não terem sido feitas para acontecer. Existem apenas para deixar-me iludir com o "e se...". A cabeça se confunde sem o tradutor de coração. Acho que preciso parar de tentar desvendar sentimentos e apenas... senti-los.
sábado, julho 02, 2011
O amor na janela ao lado.
Ineficácia invade-me a mente em mais uma solitária tarde. O sorriso não tem nenhum sentido. As lágrimas hoje caem sem motivo. O que acontece comigo? Não sou nada ao mundo, acho que enfim dei-me conta disto. Não ousaria continuar se desconhecesse o fato de que tornaria-me apenas mais uma coisa inacabada. Jogo-me ao vento esperando ver o que acontecerá de novo nessa cidade pacata. Uma sonoridade diferenciada invade a rua. Direciono-me a janela para observar o que estaria acontecendo por ali. Garotos da minha idade conversam na calçada enquanto cantam músicas antigas parecendo não importarem com nada. Provavelmente, se o mundo estivesse acabado naquele momento, continuariam ali, sem se preocuparem. Devem ser amigos do novo vizinho, só cruzei com ele algumas vezes durante o tumulto habitual. À algumas semanas eu não pensaria duas vezes, iria para a rua, apresentaria-me e permaneceria ali. Porém, atualmente, não sou mais esse tipo de garota. Sou aquela que passa calada, na dela, fingindo não ver nada acontecer. A campainha toca despertando-me dos meus escassos pensamentos no parapeito da janela recém envernizada. Abro a porta com a mesma feição comum de fastio. Era o recém chegado vizinho.
- Por acaso aí tem gelo? Esqueci de encher as formas e a cerveja ta quente.
- Sei lá, acho que tem. Entra ai. Cerveja quente é um porre né?
- Não suporto.
Aquelas risadinhas sem graças de quem tentava puxar assunto dominaram a sala. Entreguei-lhe a forma enquanto ele dizia:
- Valeu, quebrou um galhão. Por acaso a gente ta incomodando? Meus amigos são um pouco barulhentos.
- Nada, sem problema, eu gosto de barulho. Essa rua geralmente é silenciosa demais.
- Vem aqui pra fora, eu te apresento pra eles. Isso é, claro, se não estiver fazendo nada...
- Ah deixa pra outro dia.
- Hum... Tudo bem então. Obrigado pelo gelo.
O som da porta ecoou casa a dentro enquanto perguntava-me por dentro, porque afinal de contas haveria recusado o convite. Eles faziam o meu estilo comum de amigos, uma leve pegada de rock mesclada em gargalhadas e ótimos cortes de cabelo. Deixei pra lá, fiz um chá e adormeci ali no sofá. Acordei com o sol invadindo meus sonhos ao entrar pela fresta da cortina. Fiz o café e fui delicia-lo na varanda da frente. Não demorou muito o tal garoto apareceu rangendo os degraus e perguntando se poderia se sentar. Permanecemos ali por horas, jogando conversa fora. E assim começou a ser todas as manhãs com o vizinho do jeans surrado. Diferente do restante das pessoas, ele parecia não cansar-se do meu tédio contagioso ou da minha risada escandalosa. Não precisava de convite, ele só vinha. Essa noite bateu a minha porta à meia noite, puxou-me pelo braço e derrubando-me no gramado dizia com um sorriso no rosto:
- Olha a lua.
- Lua crescente.
- Não, OLHA a lua.
- Como assim?
- Ela ta linda. Parece que se esticarmos o braço, poderemos tocá-la.
- É, ta linda mesmo.
Fixou os olhos sobre mim.
- Sabe o que é mais lindo que a lua?
- O que?
- O jeito como seus olhos brilham.
E beijou-me, daquela maneira meio desengonçada que só ele sabia ser. Depois pegou o violão que havia encostado na parede de sua casa.
- Olha o que compus.
E tocou a mais bela das canções que eu já ouvira. Todo o mundo parecia haver desaparecido. Existíamos apenas nós. Acabei por adormecer ali no jardim. Acordei na sala abraçada por ele. Quanto tirei satisfações de como havia ido parar ali, ouvi um:
- ETs te abduziram e deixaram você ai.
Após diversas risadas, disse que me trouxera para dentro por lá fora estar muito frio e que acabou por dormir aqui.
- Folgado.
- Pelo menos eu te carreguei.
Beijei-o. Não sei muito bem porque, mas ele era tão encantador... Alguns meses depois, toda a chatisse, o tédio e o desânimo me abandonara graças a presença daquela criatura perturbadora e adorável. Não sei muito bem, acho que apaixonei-me pelo garoto da janela ao lado.
quinta-feira, junho 30, 2011
Como pode ser amor?
Começamos do trágico, já programando a despedida. Cada dia era uma mistura de felicidade, esperança, alívio e gargalhadas. A cada noite, desesperava-se. Diferente da grande maioria, não permiti que você me afastasse. Sempre houve algo mais forte que me puxava de volta e dizia: Calma, respira fundo e dá tudo de ti. Mesmo sem conhecer-te, era importante. Era um pedaço mim. Se você estivesse bem, a felicidade tomava-me conta. Se estivesse mal, uma parte minha morria enquanto a outra tentava mantê-lo comigo. Você deu-me os melhores conselhos, as melhores risadas e a cada dia, mais força para continuar viva. Inevitavelmente, apaixonei-me. Com o sentimento mais forte possível. Entreguei-lhe o coração enquanto pedia aos céus para que não tirasse o mais sincero sorriso da minha face. A saudade tem apertado, mas o coração sempre lembra que a vida contigo vale muito mais a pena. Mesmo com o começo às avessas ou com toda a distância impedindo o abraço. Mesmo sem o filme na noite de sábado ou as lágrimas sobre o travesseiro. Sempre que a vida pergunta-me como pode ser amor, minha resposta, sempre é um: Sei lá, só sei que é. É amor dos difíceis de compreender, daqueles que mesmo que não acabemos juntos, daqui a 50 anos, eu ainda me lembrarei de você.
segunda-feira, junho 13, 2011
Como o vento, ia e voltava.
Era quase manhã quando ele partira. Estava frio, daqueles que me congelava os dedos. Lembro-me bem de seu casaco preto, quase um sobretudo, o seu cabelo bagunçado pelo vento, a boca avermelhada pelo frio. Beijou-me a testa antes de ir.
- Eu volto.
Deu-se de ombros e seguiu em direção ao carro. Tentei alcançá-lo, não consegui. Minhas meias escorregaram no piso de madeira. Quando cheguei a porta do jardim, ele já havia ido. Gritei às flores que plantamos juntos naquele outono:
- Sentirei sua falta.
Um silêncio enlouquecedor me respondera que não era possível que ele me ouvisse. E assim seria dali pra frente. Deveria acostumar-me com sua ausência. Tentei, juro que tentei, mas era algo muito mais difícil do que esquecer um número de telefone. Estava tentando esquecer de quem abria-me o sorriso pela manhã. Sempre que tentava esquecer que ele não estava ali, uma parte de mim sentia uma saudade inexplicável, daquelas capazes de fazer-me adoecer. Já a outra, bom, a outra nem ao menos existia sem ele.
Aquela não era a primeira vez que tentava me ocupar para não sentir que havia ido. Ele, a cerca de um ano, ia e a cada vez que voltava, a alma acreditava que dessa vez permaneceria. Mas sempre ia novamente, era preciso, eu não sabia muito bem porque só que nunca o questionei. E eu voltava sempre ao mesmo sofá, recolhida aos pensamentos de sempre, de que um dia ele volta, nem que seja para matar a saudade por pouco tempo.
A senhora do fim da rua era daquelas agradáveis companhias. Sua casa tinha um ar de casa de avó, com cortinas florais azuis cobrindo velhas janelas de madeira. Era uma grande amiga, todas as tardes dirigia-me a sua casa, onde passávamos horas conversando sobre a vida e tomando chá na varanda. Certa vez ela me perguntou porque esperar logo por você, entre tantos outros. Permaneci em silêncio. Após um longo suspiro a respondi:
-Não sei, acho que o amo. E esse amor é dele, é o único a quem posso dá-lo.
Ela ficou pensativa. Acho que não compreendia muito bem o que eu tentava dizer.
Alguns meses depois ele apareceu na minha porta, trazia contigo meia dúzia de rosas e um sorriso lindo que encantava-me. Entregou-me as flores, beijou-me e segurou minha mão.
-Sinto muito tê-la feito esperar, eu precisava fazer algumas coisas antes deste dia.
Ajoelhou-se.
-Gostaria de casar-se comigo?
Surpresa, fiquei parada olhando para ele, quando enfim percebi o que estava acontecendo, respondi que sim. Enfim o perguntei:
-Porque tantas idas e voltas?
Com as bochechas rosadas ele me respondeu:
-Estava trabalhando fora da cidade ganhando um pouco para que pudesse ajeitar a vida antes de pedir-lhe em casamento. Voltava sempre por não aguentar a saudade de você.
Agora, algumas semanas depois, vejo seu sorriso todas as manhãs, aquilo espanta qualquer problema. Sem dúvidas há amor, se fosse diferente nenhum dos dois suportaria aquele cansativo ano sem abraços no fim de tarde ou beijos de boa noite.
sábado, maio 21, 2011
Corações.
Ele tinha uma coisa esquisita no peito. Um sentimento que não sabia descrever. E quebrava outros corações para sobreviver, alimentava-se disso. Sanguinário indeciso. Com sutileza, andava pelas ruas como quem nunca viveu nada que fizesse a vida ter sentido. Sentou-se em um banco qualquer, se perdia em meio ao alaranjado que o sol de fim de tarde trazia. Sentiu alguém se aproximando, olhou para o lado. Uma garota sorria para sua direção encostada em uma árvore qualquer. Olhou para os lados, era a única pessoa presente ali. Ela estaria mostrando os dentes, naquela estranha maneira de dizer que gostou, logo para ele? Ignorou-a. Direcionou o olhar para outro lugar na esperança que ela saísse de lá. De nada adiantou. A garota aproximou-se.
- E aí? – Perguntou com ar de quem se importava.
- Bom e você? – Respondeu abaixando a cabeça lamentando-se. Queria solidão, não gostava de pessoas.
-Uhum.
Ela sentou-se ao seu lado, mesmo sem convite, apenas por simpatizar-se. Alguns minutos sentados lá permanecendo em silêncio intocável. Quase se ouvia o mosquito pairando em torno do poste de luz. Os olhos curiosos da garota olharam-no novamente, gostou ainda mais. Ele, ao ver novamente aquele sorriso estranho formar-se, questionou:
- O que foi? – Sempre seco a cada conjunto de poucas palavras que mencionava.
- Nada, você é diferente dos outros caras. Não sinto medo de permanecer ao seu lado. Não sinto medo do que você vai pensar.
Ele estranhou a fala de sua atual companheira de banco. Estava acostumado à pessoas que tremeriam apenas de vê-lo passar pela rua. Mas não a disse nada a respeito. Rendeu assunto: - Corajosa você. Porque medo dos outros?
- Porque eles parecem sempre me julgar. – Sorriu mais uma vez, porém com jeito de sorriso que esconde lágrimas no fundo.
- Sei como é. – Começava a criar um tipo engraçado de simpatia a qual não conseguia explicar.
A garota do banco de fim de tarde encantava-o com seu jeito de nunca parar de falar. Ele não sabia o que sentia. Era algo diferente. Algo que despertava uma pequena parte de seu lado humano. Acreditava ter o perdido há anos. Mas com ela, naquela tarde que virava noite, Ele sentiu-se vivo. Ela não se importava se ele a ouvia. Ela falava e falava e falava. E ele simplesmente amava. Depois de horas ali, mais uma pergunta surgia:
- Alguém já machucou seu coração?
- Meu coração? Sou um monstro tão congelante. Acho que não possuo isso.
- Mas é claro que possui. Existem pessoas que por dentro são frias como noites de julho, eu não as sinto. Senti-lhe a quilômetros. Você sem dúvidas, tem um dos melhores corações que já vi.
Um sorriso esbranquiçado, meio inexplicável, abria-se na face daquele sombrio garoto. Ele não sentia-se mais como um monstro devorador de almas. Sentia-se vivo por um instante. Porém lembrou-se do que é na verdade: - Cuidado comigo, corajosa garota. Você está enganada quanto a quem sou.
- Sei quem você é. – Soltou uma risada que estava presa, ofendendo um pouco aquele que se sentava a seu lado. Completou a conversa: Eu sei que você não irá me machucar.
- Como pode ter tanta certeza?
- Porque você esta começando a se apaixonar.
- Hum... Ousada cada vez mais em suas respostas. Porém não sei o que são sentimentos, não me apaixonaria por alguém como você. Irritante, corajosa e com um coração tão lindo.
- Esta vendo? Apaixonado.
Corou as bochechas e perguntou baixo: - E você, o que sente por mim para que insista em permanecer aqui?
- Amor.
Ele não sabia muito bem o que fazia, nunca sentira nada como aquilo antes. Mas, aproximou-se lentamente da garota. Passou lentamente a mão por ser queixo, escorregando até a orelha e parando em sua nuca. Sentindo o coração saltitar por dentro, estava cada vez mais próximo de sua boca. Porém, deu-lhe um beijo na testa, foi até seu ouvido, sussurrou que a amava. Só então beijou-a com tudo o que sentia. Contradizendo o que muitos falam, o ato fez com que ela apaixonasse ainda mais.
E por lá ficaram o resto da noite. Não se sabe ainda explicar muito bem, mas dizem por ai que a garota das muitas palavras, pode ter despertado o garoto amável que existia por trás da figura amargurada que se perdia nas ruas.
sábado, maio 14, 2011
Linhas de amor.
A rua estava lotada de carros e uma senhora estava sentada em um banco na porta de um antigo prédio abandonado. Ela ficava ali observando quem ia e vinha naquela imensa correria. Deveria ter o que? Setenta e oito, oitenta anos nas costas. Uma garota sentara ao seu lado, assim, sem dizer nada. E a observara. Começaram a conversar, a senhora contou-lhe toda a história de sua vida, que havia crescido em uma família rica e que trocara tudo por um amor que os pais não aceitavam. Que abandonara dinheiro para ter felicidade. Porém que certa vez arrependera da escolha, não reconhecendo os sorrisos que aquela vida trazia. Que havia voltado para a casa de seus pais e prometido nunca mais procurar o rapaz. E ele sempre tentava manter contato, telefonava, enviava cartas, ia até sua casa, mas ela estava decidida que não o amara mais. Os anos passaram, junto deles, as cartas foram parando e ela sentindo cada vez mais falta dele. Resolvera procurá-lo à alguns anos, tudo o que encontrou foram notícias de que ele falecera após uma vida inteira amando de longe. A garota, agora emocionada com a história, levantou-se do banco com um certo ar determinado. A senhora colocou a mão sobre seu ombro e disse:
- Seja quem for o seu amor, corra atrás, diga que o ama, segure sua mão e cuide de seu coração. Eu não corri para os braços do meu e hoje estou aqui, enlouquecendo com toda essa dor. Não cometa o mesmo erro, minha querida.
A menina, segurou as mãos daquela vivida mulher de cabelos grisalhos.
- Preciso ir, obrigada por tudo. Agora, se ele passou a vida a amando e você ainda o ama, estiveram todo esse tempo ligados pela alma, ele ainda esta com você.
As duas sorriam enquanto a garota se perdia em meio à multidão que transitava na rua.
Agora em uma rua mais calma, completamente diferente da que estava há poucos minutos, a menina suspirava, talvez de medo, talvez de raiva. Aproximou-se de uma gigantesca casa que parecia estar ali a mais tempo do que ela podia contar. Abriu o enferrujado portão sem fazer muito barulho. Bateu três vezes na porta. Nem um mosquito parecia estar vivo. Virou de costas retomando a trajetória até o portão. Uma voz vindo do jardim a fez arrepiar:
- Oi?
Ela não pensara duas vezes, sairá correndo em meio a todos aqueles vasos e flores, pulara agarrada ao pescoço daquela voz única e congelante.
- Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo. – Repetia três vezes com lágrimas nos olhos.
O garoto a abraçara com as mãos sujas de barro.
- Estava plantando essas rosas para você. Pretendo fazer com que elas durem pra sempre. Assim poderei lembrar-me do seu sorriso a cada vez que regá-las.
- Porque não olha para o meu sorriso enquanto as rega?
- Porque você vai partir esqueceu-se? Você mesma me disse ontem que estava cansada dessa cidade, dessa vida...
- Mas você irá continuar aqui. E eu posso ir para qualquer lugar do mundo que será terrível sem você.
Ele pegou-a pela mão e foram entrando para a cozinha. Ela, como sempre, não parava de falar:
- Amor, conheci uma senhora hoje que nossa, é a cara daquela foto antiga que tem em cima da lareira daqui da casa que era do seu vô...
Ele pegou-a pela cintura, deu-lhe um beijo e disse:
- Será que você não para mais de falar não?
Começaram a rir. E depois de um café foram terminar o jardim. E provaram a cada dia um ao outro que o amor pode sim trazer a felicidade em si.
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