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domingo, agosto 07, 2016

Intensidade sem tempo.





Decidida, pé no chão e com a opinião forte. Eu sempre soube o que queria e o que não queria. 

Ele surgiu naquela pequena brecha quando o coração estava decido a não mais se apaixonar. Eu não tive escolha sobre gostar ou não. Chegou antes que eu conseguisse mover os lábios e dizer palavras que o fariam recuar. Antes mesmo que eu conseguisse mover rapidamente os pés para escapar dos seus beijos desajeitados. Quando percebi suas mãos já entrelaçavam minha cintura a seus olhos observavam de tão perto o que eu tenho de mais distante. Cantou no meu ouvido aquelas músicas que servem para acalmar minha alma e me sossegou. 

É um daqueles morenos que sorri e carrega meu sorriso junto. É também daqueles me fazem sorrir sem motivos e perder os dedos no seu cabelo. Ele é intenso, firme e ao mesmo tempo sereno. Me faz perder a hora, o dia, a semana. 

É confusão na certa, mas eu também sou. 

É aquela velha história de que as vezes simplesmente a gente não consegue entender o que aconteceu, então é melhor deixar ver no que que isso vai dar.

quinta-feira, maio 26, 2016

Era confusão



Acordou mais cedo que o normal - na verdade, há bastante tempo não dormia noites inteiras - e enrolou um pouco para levantar. Abriu a cortina e viu a cidade imersa em um mar de neblina branca que quase não deixava identificar onde eram montanhas e onde era céu. Passou pelo banheiro e foi na cozinha. Se movia com uma delicadeza de quem não se importava em se atrapalhar. As mãos, quase como uma dança, se esticavam, retraíam, giravam e então paralisavam. Encheu o bule de água e ficou ali, encostada no vão da porta, esperando que a chama lenta e azul do fogão fizesse a água borbulhar. O barulho do filete de café caindo pela garrafa, o aroma inundando a casa e a manhã já não parecia mais tão solitária.

Hoje ela decidiu não fazer nada. Se sentou no sofá quase como quem estava em estado de êxtase. Com uma xícara quente de café nas mãos se pegou olhando para o nada. E assim ficou. Ficou. Ficou. Ficou. E ficou até que sentiu a alma se enchendo, até que o sofrimento foi apagado, até que os cortes nos dedos cicatrizassem, até que a saudade não era mais confundida com amor, até que se perdoasse por deixar os outros a machucarem, até que aceitasse que a culpa nem sempre é sua.

E foi assim, como quem brinca de poesia com o dia a dia, que ela descobriu que com o tempo a dor é lembrada com menor intensidade e que é melhor sofrer um pouco quando termina do que sentir uma pontinha de culpa todos os dias.


Decepcionante vida



Gostava de sorrisos escancarados e de olhares profundos. Gostava de profundidade em pessoas e de gente estranha. Era mais ela do que nunca. Sabia que era. As decepções, as violências e as contradições acabaram abalando, pelo menos um pouco, do que era uma mulher forte e confiante. Mas, quando a tempestade passou ela se levantou e olhou em direção ao sol e nada nunca fez tanto sentido assim. O coração estava mais rígido, o coração mais frio, a voz mais firme e renascera das cinzas mais forte que nunca. E ela sabe que, daqui algum tempo serão outras decepções. O que importa de verdade é perceber que se aprende mais errando do que quando se acerta mil vezes.


quarta-feira, março 09, 2016

Como flor



Tem gente que é feita de poesia. Outras, feitas de alegria. Tem gente que nos lembra saudade. Algumas outras são vazias. Já ela era como perfume de flor pela manhã.

Gostava de acordar cedo, mas era anoite que ela florescia. Era filha da tarde de inverno, mas na primavera se tornava poesia. Escancarava sorrisos e , as vezes, se atrevia a roubar alguns, mas era quando chorava que tinha os sentimentos mais profundos engasgados na garganta. Por sua vez, era difícil vê-la transformar-se em água.

Também lhe agradava a músicas lentas que deixavam espaço para seus pensamentos desordenados. Pensava demais, sonhava demais, fundia sua imaginação à realidade e morria de angústia quando não conseguia separá-las. Gostava de respirar fundo e usar os dedos para trazer suas ideias para o papel.

Não era a pessoa mais paciente do mundo. Também não era a mais estressada. Não se considerava a melhor em quase nada, mas também não era a pior. Gostava de ser bem resolvida, mas sempre ficava na dúvida sobre o que diabos estava fazendo da sua vida. Gostava de ser única, mas também gostava de ficar quieta na sua. Amava seus cabelos bipolares e ondulados, mas as vezes só queria um liso bem decidido.

Era alucinada por filmes antigos e acreditava que a cada livro lido abria uma porta para a mente do autor. Se assustava quando pensava essas coisas e se lembrava que a maioria deles já estão mortos. Amava aprender coisas novas e receber demonstrações de amor.

Ah, meu amor, aquela morena era complicada demais de se entender, mas quando se entendia o que ela queria dizer ao piscar os olhos cor de mel ela virava poesia por si só.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Mirror



Tinha na mente um turbilhão de pensamentos. Não sabia organizar sentimentos. Era fria pela praticidade. Sorria para muita gente, mas escolhia a dedo quem manteria por perto. Não tinha muitos amigos, nem muitas histórias, nem muita autoestima. Inventava histórias no pensamento e muitas das coisas mais certas que fez na vida saíram dessas. Gostava de mudar sempre que se achava comum demais. Tinha consciência de seu lugar entre o estranho e GOSTAVA.

Eu a conheci em algumas noites de verão, algumas tardes jogando conversa fora, algumas manhãs olhando no espelho com o cabelo desajeitado. Eu me percebi aos poucos e fui gostando do que era.

Nunca fui uma dessas pessoas que faziam sucesso com muitas outras. Nunca me enquadrei nas caixinhas que as outras pessoas buscavam. Já me definiram como complicada, exótica, confusa, desastrada, estranha. Mal sabiam eles que eu só queria ser eu.

domingo, dezembro 20, 2015

Carta ao Desconhecido

Caro amigo, são três horas da manhã. As coisas mudaram, as pessoas mudaram, eu mudei. Durante as últimas semanas pensei estar enlouquecendo. Fui engolida pela rotina e pela lista de afazeres. Minha alma não se alimenta de obrigações. São dos momentos de ócio, de desvaneio, que minha mente pode me tirar do chão. São também nesses momentos que as melhores idéias estralam na minha cabeça e que as soluções mais complexas desabrocham como se sempre estivessem ali. Projetar se mostrou algo incrível. O memento de completo êxtase quando encontro a saída para algo que me tirou noites de sono aflora sentimentos que não sei descrever. Encanto, paixão. Conviver diariamente e aprofundar os estudos sobre representação, arte e movimentos artísticos e arquitetônicos é algo que permite e direciona o que sempre esteve em mim. Essa noite, enquanto tomava uma xícara de chá, desviei o olhar para a janela da sala. A paisagem do meu apartamento é simplesmente incrível a qualquer horário. Durante o dia as montanhas mineiras enchem os olhos. A noite, as luzes das ruas e dos prédios preenchem a alma com a sensação de que a qualquer horário, não estamos sozinhos. Ainda essa semana consegui ver vários apartamentos acesos com outros estudantes compartilhando da rotina de estudos noturnos. Esse não é o caso dessa noite. Hoje o céu está limpo, é possível apreciar as estrelas. Perco o fôlego a preciando a vista. Não consigo entender como em um lugar desses posso deixar a rotina falar mais alto. Respiro fundo como quem tenta limpar todas as mágoas que carrega no peito. Ta tudo tão diferente, não tem porque remoer isso dentro de mim. Deixa o passado pra trás. Te desejo muita felicidade e paz, graças a tudo hoje sou quem sou. E que me venha paz, que o peso das costas diminua, que meus pés voltem a flutuar.

terça-feira, junho 23, 2015

My Sun and Stars

 
 
 
Olha amor, dá sim pra sorrir. Olha amor, não se canse de me esperar. A lua veio me dar bom dia enquanto a semana passa e a gente sem se falar. Olha amor, o tempo passa, a vida anda e é claro que a gente muda. Muda minha preguiça de levantar, muda seu jeito de conversar, muda o nosso amor. Mas a gente já ta cansado de saber que mudar não é acabar. O ritmo desacelera quando pode, a saudade canta quando chega. A companhia muda de valor, as tardes de domingo se desintegram em saudade. A risada já é de longe, os minutos de silêncio cantam em mil pensamentos. O muito hoje em dia é cotidiano, o eu te amo já virou bom dia, boa noite. A simplicidade nunca foi tão boa. O doce do seu sorriso quando corro pro portão, a sua voz em dias de bom humor. Os abraços agora são capazes de me envolver até que eu possa novamente te ver. Daqui de cima da serra as nuvens deixam raios prismáticos e multicoloridos atravessarem e iluminar as pequenas flores amarelas. Olha amor, não se canse de me esperar. Eu já vou voltar.