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quinta-feira, junho 08, 2017

Barulhos


       Bocas amordaçadas querendo falar. Bocas falando sem ter o que dizer. As pessoas não gostam de silêncio e acabam por tentar preenche-lo a todo custo.
   Eu gosto de me lembrar da surpresa na voz de quem me encontrou passeando sozinha pela rua. Minha própria companhia não seria o suficiente?
   As vezes opto por ouvir quem sabe cantar no lugar de ouvir o caos do mundo. As vezes prefiro não ouvir nada. As vezes ao não ouvir nada acabo ouvindo tudo.
   Em uma tentativa recente de treinar os ouvidos fui separando os mais diferentes sons que cruzavam comigo em uma manhã de domingo. De um lado da cidade a festa do dia anterior cogitava acabar, do outro, os pássaros acordavam. O trem passava lá longe e meus passos nunca pareceram tão altos e violentos como na rua vazia. Eu não pensava, não sentia, só ouvia.
   Senta aqui, ouve meu coração.
   Senta aqui, me deixa te dizer o que tenho guardado todo esse tempo.
   Senta aqui e não me deixa te perder enquanto viramos adultos.

segunda-feira, abril 24, 2017

Sobre o amor (quando ele fica)


Éramos como duas crianças aprendendo a brincar. Ao auge dos meus vinte e poucos anos aprendi com você sobre o que é amar. As vezes o peito explode, a mente voa e eu, perdida, perco completamente o controle sobre a vida. E era com saudade, ciúmes, carinho, carência, sorrisos, aflições e outros inúmeros sentimentos que eu tentava entender tudo isso.

Ah, meu bem, tenha paciência comigo que estou aprendendo que não se entende o amor.

Ah moreno, se você soubesse sobre os dias que perco com o pensamento pairando sobre você. Se soubesse da imagem gravada na memória do seu sorriso franzindo o nariz ou dos seus olhos escuros me fitando. Se soubesse das lágrimas derramadas ou dos sorrisos bobos.

Eu, que sempre me achei inteira, descobri coisas que nunca existiram aqui, nesse peito medíocre que carrego comigo. E foi, nos seus braços que as risadas vieram da alma e o espírito de criança voltou a me habitar. Agradeço a ti pelo brilho nos olhos que redescobri e pelo frio na barriga enquanto corro pra te ver mais uma vez.

Nunca pensei ser possível gostar tanto de alguém.

quarta-feira, outubro 19, 2016

As vezes na vida.



As vezes na vida nos aparece alguém completamente sem função, mas que se encaixa perfeitamente na sua vida. Com você foi assim.

Você foi de mais alguém para ouvir as milhões de coisas que eu tenho para falar a alguém que me fazia vigiar o telefone por uma mensagem em alguns dias. Você me mostrou suas músicas preferidas e elas também eram as minhas. Nós riamos, de tudo, de todos, de nós, da vida, do universo.

Estar ao seu lado foi confuso, mas apaixonante. O coração parou por um instante e voltou mais intenso que nunca. Os olhos as vezes se enchem de lágrimas, a mente diz para se afastar. Você fez com que eu me preenchesse de felicidade e isso até eu - que sou de certo modo realista e as vezes pessimista - preciso admitir que vale mais do que meia dúzias de palavras mal ditas.

As vezes na vida nos aparece alguém que te coloca no colo e abraça forte quando você diz estar triste. As vezes isso vem acompanhado de ataques de cócegas e gargalhadas jogadas pela cama com alguns beijos no pescoço. As vezes também vem junto com um gosto musical inquestionável e um beijo na testa para te dizer oi.

As vezes na vida, mas só as vezes mesmo, nos aparece alguém que desperta o melhor que possa existir aqui dentro. Ah meu bem, quando esse alguém aparece é melhor você estar preparado porque nunca mais vai querer voltar a ser quem você era antes dele.



quarta-feira, setembro 21, 2016

Era Crepúsculo Quando Eu Percebi


Era crepúsculo quando eu percebi. A rua solitária junto ao anoitecer não tinha espaço enquanto meu peito estava cheio e tumultuado. Os postes de luz desenhavam minha silhueta em uma sombra vazia e destorcida. Eu tinha uma saia de pregas estampadinha e cabelos longos soltos em um corte meio bobo. Os olhos queria encher de lágrimas e eu queria que eles enchessem. Mas eles não derretiam.

Como sempre meus pensamentos flutuavam. Junto a eles eu sentia meu corpo sair do chão. Subitamente retomei pensamentos de uns cinco anos atrás. Talvez houvesse um motivo para o meu eu com uns quinze anos existir, mas talvez após esse tempo eu tenha burlado o destino de alguma forma e continuado o que deveria ter sido encerrado. Pensei em rasgar os pulsos, em cordas ou até em pular na lagoa e esperar o ar acabar.

Eu sempre acreditei que se não temos nada que realmente queremos fica muito difícil querer continuar. Mas quando queremos muito uma coisa a fazemos acontecer enquanto os pontos que separam o desejo e o objetivo acabam passando em branco. Eu temo ter chegado aos míseros vinte e um anos sem possuir mais motivos para querer estar aqui. Minha valentia se esvaiu. Incrivelmente hoje em dia eu não gosto de procurar intrigas. As vezes acho melhor não explicar meu ponto de vista porque sei que ninguém entenderá.

Era crepúsculo quando eu percebi que a menina de olhos brilhantes não era mais parte de mim.

sexta-feira, agosto 26, 2016

Ao Meu Bem



Almas profundas, corações bem guardados, lágrimas que evitam cair e sorrisos que vem e vão. As vezes na vida a gente acha alguém que poderíamos passar horas conversando, que combina no olhar, que encaixa no abraço e que, mesmo que o beijo pareça meio desajeitado, faz com que ele entre rapidinho na brincadeira. Quando essa pessoa finalmente chega o coitado do coração não tem outra opção a não ser se derreter.

Eu nunca consegui viver bem com pessoas rasas à minha volta, mas, como o relógio insistiu que iria passar, comecei a aceitar que elas eram as únicas que existiam. E nunca foi tão bom estar errada.

O amor dessa vez chegou em forma de olhos castanhos que, as vezes, deixam que eu me perca na escuridão. E eu, que sempre tive medo de escuro - por não saber o que encontraria lá - nunca gostei tanto de um lugar. Ele trouxe consigo uma risada franzindo o nariz e um sorriso que convida o meu pra mais uma dança. Claro que quem se encanta pela escuridão também teria de lidar com as mordidas, os xingamentos, as malícias e todas as provocações e pequenos (e perdoáveis) pecados.

Você não precisou insistir muito pra que eu te deixasse entrar. E não demorou pra que eu conseguisse ver toda luz que existe dentro de você. Mas foi quando você finalmente alcançou lugares que ninguém nunca conseguiu chegar que me fez querer ficar, porque dessa vez, meu bem, vai ser tudo diferente.

segunda-feira, agosto 22, 2016

Escudo no Peito


Com o tempo enrijeceu o coração, o protegeu como quem esconde o tesouro mais precioso para que ninguém fosse capaz de encontra-lo e, principalmente, de machuca-lo. Com o coração distante, aos poucos, o brilho dos olhos também se esvaiu. A alma começou a se satisfazer com o que conseguia encontrar de mais frio, violento e tenebroso. Ele era feito de uma fina camada de sorrisos amigáveis que disfarçava seus pensamentos obscuros e nebulosos. Com o coração rígido, ele gostava do que se tornara.

E foi nessa história de brincar com pessoas que um dos jogos resolveu dar errado. Encontrou alguém que entrou no ritmo e gostou da malícia no sorriso em contraste com o jeito meigo no olhar. Gostou também da voz calma ao acordar e dos beijos de difícil sintonia. Ele foi a cada dia se derretendo um pouco mais, apesar de no final sempre voltar a se enrijecer e fingir que nada aconteceu. Foi aos pequenos detalhes e longos dias sofrendo leves fraturas no seu mais precioso esconderijo.

Só espero, menino, que um dia você realmente me deixe entrar e aconchegar meu coração junto ao seu. Prometo que eu vou te bagunçar, mas vou tentar ser menos desastrada e não deixar nada quebrar.

domingo, agosto 07, 2016

Intensidade sem tempo.





Decidida, pé no chão e com a opinião forte. Eu sempre soube o que queria e o que não queria. 

Ele surgiu naquela pequena brecha quando o coração estava decido a não mais se apaixonar. Eu não tive escolha sobre gostar ou não. Chegou antes que eu conseguisse mover os lábios e dizer palavras que o fariam recuar. Antes mesmo que eu conseguisse mover rapidamente os pés para escapar dos seus beijos desajeitados. Quando percebi suas mãos já entrelaçavam minha cintura a seus olhos observavam de tão perto o que eu tenho de mais distante. Cantou no meu ouvido aquelas músicas que servem para acalmar minha alma e me sossegou

É um daqueles morenos que sorri e carrega meu sorriso junto. É também daqueles me fazem sorrir sem motivos e perder os dedos no seu cabelo. Ele é intenso, firme e ao mesmo tempo sereno. Me faz perder a hora, o dia, a semana. 

É confusão na certa, mas eu também sou. 

É aquela velha história de que as vezes simplesmente a gente não consegue entender o que aconteceu, então é melhor deixar ver no que que isso vai dar.