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domingo, fevereiro 03, 2019

Vinte e três

Toca minha alma,
O meu corpo.
Me chama pra dançar,
Me incendeia.
Enche um enorme balde
E finalmente me apaga.

Aos vinte e três eu estive pela primeira vez em algo que não se pode definir. Todos os nomes pareciam simples ou supérfluos demais. Não era um contatinho, nem um crush. Não era um ficante, nem uma saída. Talvez fosse um rolo ou um caso. Mas eu também me recusava a chamar de algo assim. Era ele e isso bastava para todo mundo compreender.
Nós éramos simples e complicados demais.
Ele era paz,
E calmaria.
Mas também era o caos
E aquela dor que arde no peito.
Ele era o meu bom dia e os braços que me protegiam.
Era o sorriso que me tirava do chão
E os olhos que me viam no fundo.

Eu era dele e de mais ninguém.
Sem rótulos, títulos ou exibições públicas. 
Ele me tinha na alma, de um jeito completamente complicado, mas tinha.

Aos vinte e três eu me sentia adolescente, com o coração na boca sempre que ele me olhava.

Aos vinte e três ele se eternizou em mim.

Meu reflexo

E no momento em que eu precisava de você, menino, eu te conheci.
Te conheci ao avesso, começando pelo alma e pelas lágrimas. Pra depois conhecer tudo que você é do lado de fora.
Em algum momento da vida, eu te conheci.
Mas eu já havia te visto no meu espelho.
Sempre que tocava seu reflexo você desaparecia. Como uma neblina em forma de gente. 
Acho que o seu problema não é se aproximar, mas é deixar que os outros saibam onde você está.
Nunca de mãos dadas, nunca um cumprimento com selinho, raramente um abraço apertado em público. Nunca muito tempo comigo.
Mas dorme apertado, com os dedos entrelaçados e os lábios no meu ombro. Dá bom dia com beijos demorados e faz carinho nos meus cabelos.
Você é difícil de se entender, menino.
Você é difícil de se amar.


Mas eu amo.

domingo, novembro 11, 2018

Sobre perder o que se ama

Ame algo e você automaticamente o perderá.
Parece que na minha vida o amor não deve ser sólido e duradouro.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Existindo

Eu estou aqui.
Já ele, não sei bem.
Acho que ele passou por aqui e agora, partiu.

Gosto de clareza, exatidão e certezas.
Mas sentimentos são mutáveis, susurrei baixinho.
Repito comigo, com a voz firme e nítida: Hoje estou aqui, amanhã nem sei mais.

Eu estou aqui.
Mas sou confusa.
E perdida.
E intensa.
E indecisa.

Gosto dos presentes da vida.
Do nascer e do pôr do sol,
das flores do campo que encontramos perdidas,
de gente que chega sem a gente estar esperando.

Eu estou aqui,
carregando no peito um mundo de sentimentos,
cantarolando músicas desconhecidas,
trocando os pés em uma dança esquisita,
existindo do meu próprio jeito.

segunda-feira, outubro 08, 2018

Fácil

Confusão e calmaria.
Acordei essa noite enquanto algo ardia no peito. As dúvidas, a gritaria, o fogo que estralava na janela... O caos.
Apertei os olhos e tentei me lembrar de algum sentimento bom que tomasse o meu corpo.
É estranho, mas tudo virou silêncio e os tons quentes de vermelho, amarelo e laranja foram esfriando, tomando novas e gélidas formas.
Eu te vi, por um segundo, abraçado a mim, sorrindo enquanto pegava no sono.
Você é fogo.
E essa foi a primeira vez que o fogo me foi calmaria.

Fogo sem ar vira fumaça, que vira nada. Não se prende as chamas em um pote. Você as deixa livre, para estralar, arder e espalhar até onde se perde de vista. Essa parte eu sempre soube. O que me confunde é o fogo ter a voz macia, um sorisso que me puxa pra dança e me pedir desculpas antes de me queimar.

Não sei o que eu sinto pelas chamas, mas, elas certamente me hipnotizaram, de uma maneira fácil demais.


quarta-feira, setembro 19, 2018

Feliz coração novo

Nascemos, crescemos e morremos.
Muita gente passa por nós.
Mas no final é tudo sobre quem conseguiu deixar marcas para sempre.

Primeiro ele veio e me ensinou sobre ser únicos. Ele me contou mais sobre quem eu era e a sorte que as pessoas teriam por estar ao meu redor. Depois, o outro veio e me mostrou o quão importante eu posso ser. E o quanto a falta de alguém pode ser dificil de superar quando fingimos que nada aconteceu. E aí, foi a vez do outro. Esse me ensinou que tenho que ser cautelosa em falar sobre o amor. Já o quinto me mostrou como é amar alguém, profundamente e intensamente. E como é lidar com os sentimentos da perda. E aí eu entendi.

Nunca foi sobre o amor que alguém trás para você. Nós sempre estivemos falando sobre o amor que você quer oferecer.

As borboletas sempre estiveram no seu estômago. As declarações nas pontas dos seus dedos. E o seu coração, ah menina, o coração sempre esteve no seu peito. 

Eu sou o tudo e sou o nada.

sábado, setembro 15, 2018

Pigmento

Úmida, cinzenta, profunda como uma grande poça d'agua que não sabemos onde acaba. Tem dias chuvosos que combinam com a alma.

A luz branca entra pela janela e realça o tom da minha pele. Fria,confusa e anêmica.

Eu sonhei com os dias de primavera. Com o sol fraco que reluz nas folhas e com o bom humor que essa época me trás. Só que mais uma vez me lembrei que sou filha do inverno, do gelo, da seca, do branco, azul e prata.

Na primavera eu floresço, disse a mim mesma, mas é no inverno que sou um poço profundo de arte.

Enquanto o inverno lá fora se prepara para ir embora, aqui estou aprendendo a viver com ele. Decepções nos obrigam a nos conhecermos. Ter um encontro marcado todas as noites com os seus pensamentos fazem o mundo desaparecer.

Estou fraca, mas em breve serei como o gelo. Não sou nem nunca deveria ter sido orgânica. Sou matéria e não sentimento.

Ah meu bem e você se enganou quando disse que eu deveria ter cor, quando o branco é que me favorece.

Eu era azul e você vermelho. Quando me tocou, virei roxo. Mas roxo é cor mutável e tenho enjetado a cada dia mais azul nele.

Nada sou além de pigmento.